FONTE: https://www.facebook.com/fotosantigas
Militar Estadual, Centauro da Força Pública, Guerreiro nas Revoluções, Protetor Ambiental, Agente de Saúde, Policial Estadual e integrante da Lendária Brigada Militar do Estado Rio Grande do Sul - Este é o Brigadiano(a)- homens e mulheres a serviço da lei, da justiça, da ordem, do direito, do Povo Gaúcho e da Grande Nação Brasileira
domingo, 17 de março de 2013
REVOLUÇÃO DE 32 EM DOM PEDRITO
segunda-feira, 11 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
UMA SARGENTO DETERMINADA E MILITAR
DIÁRIO DA MANHÃ 8/3/2013 10:18:00
FABIANE CHAVES
Ela no comando da tropa
Há 19 anos na carreira militar, a sargento Fabiane mostra que por trás da farda existe uma mulher batalhadora, guerreira e que leva a profissão a sério, não tem medo de enfrentar as ruas e quebrar paradigmas
Redação Passo Fundo / DM
A voz rouca de fala firme exige disciplina aos soldados que estão sob seu comando e por trás do fardamento, do cabelo preso na boina se esconde a mulher, que de frágil não tem nada, ao contrário, é determinada, perseverante e lutadora, que não tem medo das ruas e se mostra uma apaixonada pela profissão, mas não deixa de lado as manias de toda a mulher.
Por poucos instantes pude acompanhar as ordens da 1ª Sargento da Brigada Militar, no comando de quase 60 alunos do curso da Brigada Militar, passando ordens e ensinamentos, postura firme e cada detalhe que não pode falhar durante uma operação. Quando indagada sobre a postura durona, ela logo contesta: “Durona não, eu sou militar”, explica.
Carreira militar
Fabiane Chaves é a filha mais velha de três irmãs, gosta de esportes radicais, de viajar, fazer compras e principalmente trabalhar. Ocupando o cargo de sargento, ela começou na carreira militar há 19 anos, quando tinha apenas 18, e assim segue até hoje, se declarando apaixonada pela profissão que escolheu. Separada há dois anos e sem filhos, Fabiane gosta de curtir a vida. "Não deixes que a tristeza do passado e o medo do futuro te estraguem a alegria do presente", diz a frase que define sua personalidade no perfil de uma rede social.

(Sargento Fabiane: os olhos castanhos brilham ao falar da profissão / FOTO ALESSANDRA PASINATO)
A Sargento Fabiane tem muita história para contar e já atuou em diversos locais, Porto Alegre, Caxias do Sul, Gramado, Canela, Charqueadas, além de Passo Fundo na área de inteligência, no Regimento e no Batalhão de Operações Especiais, o que, segundo ela, oportunizaram muita experiência. Os olhos castanhos brilham ao falar da profissão, que ao invés de roupas finas usa uma “armadura” de uniforme. “A farda é o meu uniforme, a minha uma armadura e nela me sinto bem. Gosto de andar fardada, amo minha profissão”, declara a sargento.
Por trás da farda
Mas pelo jeito o amor não está só na profissão, o coração também anda apaixonado. Sem dar mais detalhes e com um sorriso largo no rosto, Fabiane conta que é caseira, não sai muito e tem muitos amigos, inclusive vários deles em comum com o trabalho na Brigada Militar. Gosta de frequentar bares, faz rapel, natação e jogar vôlei. Com uma vida agitada devido ao trabalho, quando tem folga ela prefere fazer as coisas que mais gosta, inclusive faxinar a casa.
Como toda a mulher, ela também adora comprar roupas e perfumes, faz as unhas semanalmente, vai ao salão de beleza cuidar do cabelo, ao supermercado fazer compras e sempre mantendo uma alimentação saudável, com frutas, verduras e cereais para manter o corpo em forma. Sapatos também estão na lista de compras, mas com 1,80 metros, a preferência fica longe dos saltos altos. Para ele, ser mulher é um dom de Deus, por que às mulheres cabe o dom de gerar a vida e dar continuidade a humanidade.
FABIANE CHAVES
Ela no comando da tropa
Há 19 anos na carreira militar, a sargento Fabiane mostra que por trás da farda existe uma mulher batalhadora, guerreira e que leva a profissão a sério, não tem medo de enfrentar as ruas e quebrar paradigmas
Redação Passo Fundo / DM
A voz rouca de fala firme exige disciplina aos soldados que estão sob seu comando e por trás do fardamento, do cabelo preso na boina se esconde a mulher, que de frágil não tem nada, ao contrário, é determinada, perseverante e lutadora, que não tem medo das ruas e se mostra uma apaixonada pela profissão, mas não deixa de lado as manias de toda a mulher.
Por poucos instantes pude acompanhar as ordens da 1ª Sargento da Brigada Militar, no comando de quase 60 alunos do curso da Brigada Militar, passando ordens e ensinamentos, postura firme e cada detalhe que não pode falhar durante uma operação. Quando indagada sobre a postura durona, ela logo contesta: “Durona não, eu sou militar”, explica.
Carreira militar
Fabiane Chaves é a filha mais velha de três irmãs, gosta de esportes radicais, de viajar, fazer compras e principalmente trabalhar. Ocupando o cargo de sargento, ela começou na carreira militar há 19 anos, quando tinha apenas 18, e assim segue até hoje, se declarando apaixonada pela profissão que escolheu. Separada há dois anos e sem filhos, Fabiane gosta de curtir a vida. "Não deixes que a tristeza do passado e o medo do futuro te estraguem a alegria do presente", diz a frase que define sua personalidade no perfil de uma rede social.
(Sargento Fabiane: os olhos castanhos brilham ao falar da profissão / FOTO ALESSANDRA PASINATO)
A Sargento Fabiane tem muita história para contar e já atuou em diversos locais, Porto Alegre, Caxias do Sul, Gramado, Canela, Charqueadas, além de Passo Fundo na área de inteligência, no Regimento e no Batalhão de Operações Especiais, o que, segundo ela, oportunizaram muita experiência. Os olhos castanhos brilham ao falar da profissão, que ao invés de roupas finas usa uma “armadura” de uniforme. “A farda é o meu uniforme, a minha uma armadura e nela me sinto bem. Gosto de andar fardada, amo minha profissão”, declara a sargento.
Por trás da farda
Mas pelo jeito o amor não está só na profissão, o coração também anda apaixonado. Sem dar mais detalhes e com um sorriso largo no rosto, Fabiane conta que é caseira, não sai muito e tem muitos amigos, inclusive vários deles em comum com o trabalho na Brigada Militar. Gosta de frequentar bares, faz rapel, natação e jogar vôlei. Com uma vida agitada devido ao trabalho, quando tem folga ela prefere fazer as coisas que mais gosta, inclusive faxinar a casa.
Como toda a mulher, ela também adora comprar roupas e perfumes, faz as unhas semanalmente, vai ao salão de beleza cuidar do cabelo, ao supermercado fazer compras e sempre mantendo uma alimentação saudável, com frutas, verduras e cereais para manter o corpo em forma. Sapatos também estão na lista de compras, mas com 1,80 metros, a preferência fica longe dos saltos altos. Para ele, ser mulher é um dom de Deus, por que às mulheres cabe o dom de gerar a vida e dar continuidade a humanidade.
quarta-feira, 6 de março de 2013
BRIGADA AMBIENTAL
AULA PRÁTICA
Dia de entrar na jaula para aprender lições ambientais. Em Viamão, futuros soldados da BM passam por treinamento em contato com animais apreendidos
Entre araras canindé e macau, tarrans e jabutis, um grupo com pouco mais de 30 alunos soldados da Brigada Militar manteve contato ontem com animais silvestres nativos e exóticos na Fazenda Quinta da Estância, em Viamão, na Região Metropolitana. Com formatura marcada para 20 de abril, junto a outros 2,5 mil aprovados no último concurso da BM, os futuros policiais viveram experiências variadas no treinamento, inclusive dentro de uma gaiola gigante.
Com 15 anos de experiência no Comando Ambiental, o tenente Sérgio Luís Barcellos, um dos professores do curso, organizou a visita para que 108 alunos tivessem contato com a realidade dos animais apreendidos. Para facilitar a logística, as visitas são realizadas em turmas de 30. Também ministrando a disciplina, o major Rodrigo Gonçalves dos Santos conduzirá uma turma de 60 alunos ao mesmo viveiro animal.
– Desde 2000, a matéria é comum a todos os soldados que ingressam na corporação, com visitas técnicas a diversos lugares. Em outros anos, fomos a aterros sanitários mostrar na prática a legislação que trata do tema – destaca Santos.
Os alunos estão cumprindo o terceiro e último ciclo do treinamento e capacitação ambiental. Segundo o tenente Barcellos, a grande maioria é de jovens com até 25 anos, do interior do Estado, e que nunca tiveram contato com a fauna desta forma.
Barcellos entende que, em visitas como esta, o soldado ainda em formação tem noção do quanto é prejudicial manter um animal silvestre em casa, hábito comum principalmente no Interior.
– A Quinta da Estância é parceira do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desde 1996. Reabilitamos animais apreendidos há quase 17 anos – explica o biólogo da fazenda, Thiago Monteiro.
Quando recuperados, explica Monteiro, os animais também são soltos, como foi o caso de um veado-virá, espécie nativa do Estado. Entre as espécies tratadas na fazenda estão a marreca-piadeira e o pato-selvagem, cuja caça é proibida, mas recorrente no Rio Grande do Sul.
A Brigada Militar também utiliza uma área de preservação ambiental em Barra do Ribeiro, onde realiza estágios de até três dias com algumas turmas em aprendizado.
Para a aluna Martina Casarotto, 24 anos, natural de Dona Francisca, município próximo a Santa Maria, a atividade é importante. A partir do fim de abril, ela será uma dos 2,5 mil novos soldados nas ruas – a maioria deve atuar na Região Metropolitana. Martina, que nunca tinha visto tantas aves juntas, ficou deslumbrada com a diversidade e surpresa com a experiência de ficar em uma gaiola, durante uma das etapas do aprendizado:
– Ficar no viveiro humano foi uma situação muito incômoda, mas essencial para compreendermos um pouco o que os animais sentem.
THIAGO TIEZE
domingo, 3 de março de 2013
CABO TOCO

No mês da mulher lembrança a Cabo Toco - Primeira mulher a vestir a farda de nossa Brigada Militar - Enfermeira, combatente heroína.
Olmira Leal Oliveira - filha de Caçapava do Sul, nasceu em 18 de junho de 1902. Ficou conhecida como Cabo Toco graças à sua participação nas tropas da Brigada Militar durante a Revolução Federalista, enfrentando ninguém menos que o General Zeca Neto.
Essa gaúcha foi enfermeira e combatente na Revolução de 23 - "Debaixo do talabarte, há um coração de mulher". Relembramos Cabo Toco, primeira mulher gaúcha a ostentar a farda da Brigada Militar. Olmira foi recrutada aos 21 anos de idade, para servir como enfermeira durante o movimento armado de 1923, quando Borges de Medeiros lutava pela legitimidade de sua reeleição ao governo do Estado. Ela lutou ainda, nos movimentos revolucionários seguintes (1924 e 1926).
Na década de 1920, integrou as fileiras da Brigada Militar, como combatente e enfermeira do 1.º Regimento de Cavalaria, hoje 1.º Regimento de Polícia Montada, sediado em Santa Maria. Participou dos movimentos revolucionários de 1923, 1924 e 1926. Incorporou em 1923 e só deixou a Brigada em 1932.
Ela também é patrona da primeira turma de PMs femininas do Estado. Ijuí também homenageou-a dando o seu nome a uma rua da cidade, bem como ao CTG do 9.º Batalhão da Polícia Militar da mesma cidade.
Cabo Toco, apesar de atos heróicos dentro do 13.º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar, durante as revoluções de 1923 e 1924, depois de passar por várias batalhas com destaque de bravura, em 1932 deixou a corporação.
Sua figura ficou conhecida em 1987, quando a intérprete Fátima Gimenez venceu a V Vigília do Canto Gaúcho contando sua história na música "Cabo Toco".
Morreu em 21 de outubro de 1989, morando em um barraco na zona periférica da cidade de Cachoeira do Sul.
Recebia, quando faleceu, a pensão vitalícia especial, correspondente ao cargo de 2.º sargento da Brigada Militar concedida havia dez anos por parte do Governo do Estado

Matéria indicada por Diogo Franco
Foto Terceiro Batalhão De Policiamento De Área de Fronteira.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
DRAMA E MOBILIZAÇÃO
TRAGÉDIA DE SANTA MARIA: O DOMINGO SEM FIM
Quando o telefone tocou, no meio da madrugada, o coordenador Regional da Defesa Civil, o tenente-coronel da Brigada Militar Adilomar Silva, cambaleou até o aparelho. Atendeu com a voz pastosa de sono. Do outro lado, na sala de operações do 1º Regimento de Polícia Montada, falava uma soldado.
– O senhor tem lona preta disponível, coronel? – questionou.
Intrigado com a necessidade repentina do material, geralmente usado para recompor telhados destruídos por intempéries, Silva perguntou qual a razão do pedido, feito às 3h45min daquele domingo, 27 de janeiro.
– Para cobrir corpos – respondeu a soldado.
O oficial explicou que toda a lona armazenada fora remetida a municípios próximos em razão das pesadas chuvas de granizo de setembro e outubro. Sugeriu que a brigadiana ligasse para a coordenadoria municipal da Defesa Civil. A soldado agradeceu e desligou. O tenente-coronel sentou-se na cama e, em seguida, sussurrou para si próprio:
– Como assim, cobrir corpos?
Telefonou de volta e indagou o que estava acontecendo. Ouviu sobre o incêndio que já deixara pelo menos 20 mortos. Intuiu que a dimensão do desastre exigiria o envolvimento da Defesa Civil, responsável por facilitar a coordenação entre diferentes órgãos em casos de emergência. Tomou um banho, vestiu o uniforme e partiu para dar início à dura missão de organizar o transporte, armazenamento, identificação e liberação das vítimas.
Por volta das 4h, quando o oficial terminava de se aprontar, o empresário Luís Gustavo Riet, 34 anos, ainda entrava e saía ofegante da boate carregando gente para fora do inferno de chamas e gases tóxicos. Riet estava na Kiss quando o incêndio começou e conseguiu escapar da fumaça venenosa. Em vez de ir embora, resolveu voltar e salvar pessoas.
– Encontrei um segurança chorando porque a mulher dele ainda estava lá dentro – conta.
O empresário tentou chegar até ela, mas achou o caminho bloqueado por uma pilha de corpos. Retornou puxando uma pessoa e, quando tentava entrar novamente, acabou impedido por um bombeiro, por razões de segurança. Olhou em volta e empunhou uma marreta da corporação. Com ela, começou a quebrar a fachada do estabelecimento para criar um novo acesso. Em segundos, outros jovens agarraram picaretas, machados e barras de ferro com o mesmo objetivo e compuseram uma das imagens mais emblemáticas da madrugada trágica. Um rombo se abriu na parede, mas, em vez de sobreviventes, por ali só saíram rolos de fumaça preta.
– Não deu para tirar ninguém – lamenta Riet, que ficaria cinco dias internado devido à aspiração dos gases.
Centro Desportivo Municipal vira epicentro da dor gaúcha
Quando o coordenador da Defesa Civil chegou ao local, antes das 4h30min, a marreta de Riet já tinha sido abandonada. Não havia mais esperança de resgatar sobreviventes, e os bombeiros faziam o rescaldo do incêndio no interior ainda esfumaçado da boate.
Adilomar em seguida entrou na Kiss e, pelo que pôde vislumbrar em meio à escuridão, achou que havia no mínimo mais 30 mortos no local, além dos 20 já retirados:
– Foi o momento mais chocante de todo o dia – avalia o tenente-coronel.
O novo desafio era organizar o cenário caótico e fazer o “manejo dos mortos”, no jargão de Defesa Civil. Adilomar e representantes da Brigada, prefeitura e Polícia Civil fizeram, diante dos escombros fumegantes da Kiss, a primeira reunião do que viria a se transformar no gabinete de gestão de crise em Santa Maria.
Uma das primeiras e mais importantes decisões a serem tomadas era definir o local para onde seriam removidos os corpos, a fim de serem identificados e entregues às famílias. Amplo, com boa infraestrutura e fácil acesso, o Centro Desportivo Municipal (CDM) se transformaria no epicentro da dor no Estado.
Para dar conta da catástrofe, o tenente-coronel de 43 anos, há 26 na Brigada, avaliou que seria necessário envolver mais órgãos oficiais. Telefonou para o chefe da Casa Militar, coronel Oscar Luiz Moiano, para pedir a liberação de aeronaves para transporte de vítimas, peritos para identificação dos mortos, apoio das Forças Armadas e reforço no efetivo da Defesa Civil.
Ainda pela manhã, servidores de órgãos e instituições como Brigada Militar, Instituto-geral de Perícias (IGP), prefeitura, secretarias estaduais, Exército, Aeronáutica, Corpo de Bombeiros, Cruz Vermelha, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e polícias Civil e Rodoviária Federal se uniram a cerca de 500 voluntários. O efetivo passou a ser coordenado pelo gabinete de gestão, no CDM, onde Adilomar se instalou.
Às 7h30min, um caminhão-baú da BM começou a buscar as vítimas e a deixá-las em um dos galpões do complexo. Ainda pela manhã, 234 corpos começaram a ser identificados. Quem não estava com a carteira de identidade tinha as impressões digitais colhidas e enviadas via internet para o IGP, na Capital, onde eram comparadas com um banco de dados.
– Nosso principal medo era que esse trabalho durasse mais de 24 horas. Por isso, já havíamos deixado frigoríficos da região de sobreaviso – revela o oficial.
Maratona fúnebre exigiu organização e agilidade
Com a chegada massiva de parentes em busca de informações, o tenente-coronel procurou orientar os brigadianos que faziam o policiamento da área: tinham de ser firmes para manter a ordem, mas respeitosos.
– Vi colegas disfarçando as lágrimas. Ninguém ficou totalmente alheio – conta.
À tarde, o CDM fervilhava com policiais, peritos, familiares e amigos de vítimas, jornalistas. Por trás da aparente confusão, havia um sistema: os corpos alinhados no primeiro galpão, uma vez identificados, passavam para um anexo. Lá, recebiam o registro do óbito. Então eram leva dos a uma terceira ala, onde eram entregues às funerárias e, de lá, liberados para os velórios, que começaram depois das 16h.
Em meio à maratona fúnebre, Adilomar e os demais integrantes do gabinete de crise faziam reuniões de hora em hora. No fim da tarde, o tenente-coronel deu-se conta de outro desafio: em um dia normal, Santa Maria realiza meia dúzia de enterros. Como dar conta de mais de uma centena que deveriam ocorrer o dia seguinte? Uma força-tarefa formada por Brigada Militar e Exército rumou, então, para os principais cemitérios da cidade, para abrir covas e gavetas para o dia seguinte.
O grande receio do oficial fora evitado: antes da meia-noite, os últimos corpos estavam identificados. A última vítima, acolhida em um caminhão-frigorífico do Exército, seria entregue aos familiares apenas na tarde de segunda-feira, porque seus parentes vinham de Mato Grosso do Sul.
Quando se completaram as 24 horas cruciais após o incêndio, a parte mais sensível do trabalho estava concluída, e Adilomar poderia ir para casa terminar a noite de sono interrompida na véspera. Em vez disso, tomou um café e continuou no CDM. Não estava com espírito para ir para casa, muito menos dormir.
O empresário Luís Gustavo Riet, que empunhou a marreta diante da Kiss, até hoje não consegue ter uma noite de sono:
– Tomo remédios, mas não durmo direito.
O gabinete de crise ainda funciona no CDM, e Adilomar segue trabalhando no auxílio a familiares de vítimas. Para personagens como o tenente-coronel, a noite de 27 de janeiro, o domingo cruel, ainda não acabou.
MARCELO GONZATTO
Quando o telefone tocou, no meio da madrugada, o coordenador Regional da Defesa Civil, o tenente-coronel da Brigada Militar Adilomar Silva, cambaleou até o aparelho. Atendeu com a voz pastosa de sono. Do outro lado, na sala de operações do 1º Regimento de Polícia Montada, falava uma soldado.
– O senhor tem lona preta disponível, coronel? – questionou.
Intrigado com a necessidade repentina do material, geralmente usado para recompor telhados destruídos por intempéries, Silva perguntou qual a razão do pedido, feito às 3h45min daquele domingo, 27 de janeiro.
– Para cobrir corpos – respondeu a soldado.
O oficial explicou que toda a lona armazenada fora remetida a municípios próximos em razão das pesadas chuvas de granizo de setembro e outubro. Sugeriu que a brigadiana ligasse para a coordenadoria municipal da Defesa Civil. A soldado agradeceu e desligou. O tenente-coronel sentou-se na cama e, em seguida, sussurrou para si próprio:
– Como assim, cobrir corpos?
Telefonou de volta e indagou o que estava acontecendo. Ouviu sobre o incêndio que já deixara pelo menos 20 mortos. Intuiu que a dimensão do desastre exigiria o envolvimento da Defesa Civil, responsável por facilitar a coordenação entre diferentes órgãos em casos de emergência. Tomou um banho, vestiu o uniforme e partiu para dar início à dura missão de organizar o transporte, armazenamento, identificação e liberação das vítimas.
Por volta das 4h, quando o oficial terminava de se aprontar, o empresário Luís Gustavo Riet, 34 anos, ainda entrava e saía ofegante da boate carregando gente para fora do inferno de chamas e gases tóxicos. Riet estava na Kiss quando o incêndio começou e conseguiu escapar da fumaça venenosa. Em vez de ir embora, resolveu voltar e salvar pessoas.
– Encontrei um segurança chorando porque a mulher dele ainda estava lá dentro – conta.
O empresário tentou chegar até ela, mas achou o caminho bloqueado por uma pilha de corpos. Retornou puxando uma pessoa e, quando tentava entrar novamente, acabou impedido por um bombeiro, por razões de segurança. Olhou em volta e empunhou uma marreta da corporação. Com ela, começou a quebrar a fachada do estabelecimento para criar um novo acesso. Em segundos, outros jovens agarraram picaretas, machados e barras de ferro com o mesmo objetivo e compuseram uma das imagens mais emblemáticas da madrugada trágica. Um rombo se abriu na parede, mas, em vez de sobreviventes, por ali só saíram rolos de fumaça preta.
– Não deu para tirar ninguém – lamenta Riet, que ficaria cinco dias internado devido à aspiração dos gases.
Centro Desportivo Municipal vira epicentro da dor gaúcha
Quando o coordenador da Defesa Civil chegou ao local, antes das 4h30min, a marreta de Riet já tinha sido abandonada. Não havia mais esperança de resgatar sobreviventes, e os bombeiros faziam o rescaldo do incêndio no interior ainda esfumaçado da boate.
Adilomar em seguida entrou na Kiss e, pelo que pôde vislumbrar em meio à escuridão, achou que havia no mínimo mais 30 mortos no local, além dos 20 já retirados:
– Foi o momento mais chocante de todo o dia – avalia o tenente-coronel.
O novo desafio era organizar o cenário caótico e fazer o “manejo dos mortos”, no jargão de Defesa Civil. Adilomar e representantes da Brigada, prefeitura e Polícia Civil fizeram, diante dos escombros fumegantes da Kiss, a primeira reunião do que viria a se transformar no gabinete de gestão de crise em Santa Maria.
Uma das primeiras e mais importantes decisões a serem tomadas era definir o local para onde seriam removidos os corpos, a fim de serem identificados e entregues às famílias. Amplo, com boa infraestrutura e fácil acesso, o Centro Desportivo Municipal (CDM) se transformaria no epicentro da dor no Estado.
Para dar conta da catástrofe, o tenente-coronel de 43 anos, há 26 na Brigada, avaliou que seria necessário envolver mais órgãos oficiais. Telefonou para o chefe da Casa Militar, coronel Oscar Luiz Moiano, para pedir a liberação de aeronaves para transporte de vítimas, peritos para identificação dos mortos, apoio das Forças Armadas e reforço no efetivo da Defesa Civil.
Ainda pela manhã, servidores de órgãos e instituições como Brigada Militar, Instituto-geral de Perícias (IGP), prefeitura, secretarias estaduais, Exército, Aeronáutica, Corpo de Bombeiros, Cruz Vermelha, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e polícias Civil e Rodoviária Federal se uniram a cerca de 500 voluntários. O efetivo passou a ser coordenado pelo gabinete de gestão, no CDM, onde Adilomar se instalou.
Às 7h30min, um caminhão-baú da BM começou a buscar as vítimas e a deixá-las em um dos galpões do complexo. Ainda pela manhã, 234 corpos começaram a ser identificados. Quem não estava com a carteira de identidade tinha as impressões digitais colhidas e enviadas via internet para o IGP, na Capital, onde eram comparadas com um banco de dados.
– Nosso principal medo era que esse trabalho durasse mais de 24 horas. Por isso, já havíamos deixado frigoríficos da região de sobreaviso – revela o oficial.
Maratona fúnebre exigiu organização e agilidade
Com a chegada massiva de parentes em busca de informações, o tenente-coronel procurou orientar os brigadianos que faziam o policiamento da área: tinham de ser firmes para manter a ordem, mas respeitosos.
– Vi colegas disfarçando as lágrimas. Ninguém ficou totalmente alheio – conta.
À tarde, o CDM fervilhava com policiais, peritos, familiares e amigos de vítimas, jornalistas. Por trás da aparente confusão, havia um sistema: os corpos alinhados no primeiro galpão, uma vez identificados, passavam para um anexo. Lá, recebiam o registro do óbito. Então eram leva dos a uma terceira ala, onde eram entregues às funerárias e, de lá, liberados para os velórios, que começaram depois das 16h.
Em meio à maratona fúnebre, Adilomar e os demais integrantes do gabinete de crise faziam reuniões de hora em hora. No fim da tarde, o tenente-coronel deu-se conta de outro desafio: em um dia normal, Santa Maria realiza meia dúzia de enterros. Como dar conta de mais de uma centena que deveriam ocorrer o dia seguinte? Uma força-tarefa formada por Brigada Militar e Exército rumou, então, para os principais cemitérios da cidade, para abrir covas e gavetas para o dia seguinte.
O grande receio do oficial fora evitado: antes da meia-noite, os últimos corpos estavam identificados. A última vítima, acolhida em um caminhão-frigorífico do Exército, seria entregue aos familiares apenas na tarde de segunda-feira, porque seus parentes vinham de Mato Grosso do Sul.
Quando se completaram as 24 horas cruciais após o incêndio, a parte mais sensível do trabalho estava concluída, e Adilomar poderia ir para casa terminar a noite de sono interrompida na véspera. Em vez disso, tomou um café e continuou no CDM. Não estava com espírito para ir para casa, muito menos dormir.
O empresário Luís Gustavo Riet, que empunhou a marreta diante da Kiss, até hoje não consegue ter uma noite de sono:
– Tomo remédios, mas não durmo direito.
O gabinete de crise ainda funciona no CDM, e Adilomar segue trabalhando no auxílio a familiares de vítimas. Para personagens como o tenente-coronel, a noite de 27 de janeiro, o domingo cruel, ainda não acabou.
MARCELO GONZATTO
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
FARDAS EM LUTO
Um duro golpe para família de brigadianos
Filho de policial e irmão de PM que comandou liberação de reféns em Cotiporã tombou em confronto
Uma família que tem a vida de policial militar como referência sofreu seu maior golpe, em Caxias do Sul: a morte do sargento da reserva Jorge Alberto Amaral, 44 anos. Irmão do capitão Juliano Amaral, 33 anos, que em dezembro passado ganhou notoriedade ao comandar uma ação contra ladrões de joias em Cotiporã, e filho do subtenente aposentado Juvenil Chagas Amaral, 69 anos, Jorge foi assassinado por dois assaltantes na noite de terça-feira.
– Sempre contei histórias de brigadiano para ele. Mas quando decidiu virar um, fiquei com o coração apertado. Hoje, entendo o porquê – desabafou Juvenil ontem, sem sair de perto do caixão no qual o filho era velado.
Jorge estava na reserva da Brigada Militar havia cerca de dois meses. Aposentou-se após 25 anos de carreira, somada ao período em que serviu ao Exército. O último posto conquistado, há dois anos, foi o de terceiro sargento.
– Ele era muito dedicado. Um dos policiais mais atuantes. Mesmo nos horários de folga e agora, com a aposentadoria, continuava a trabalhar como segurança. Essa área era a vida dele e não pensava em largar – conta o pai.
Filho caçula vestiu farda para homenagear o pai
Em 2000, o soldado teve o primeiro sinal dos riscos da profissão. Ombro e perna foram atingidos ao evitar um assalto. Mesmo assim, persistiu na função. A carreira dele também motivou a escolha do irmão mais novo, Juliano, que ontem estava desolado. A família soma 74 anos de dedicação à BM.
Jorge deixa a mulher e três filhos. O caçula, por iniciativa própria, resolveu homenagear o pai durante o velório ao vestir uma farda. A cerimônia ficou lotada durante todo o dia. Lá estavam PMs, bombeiros, policiais civis e rodoviários e outros servidores públicos, além de amigos e familiares de Jorge.
– Ele era muito ligado à família e aos amigos. Aproveitava os poucos momentos de folga para passar com os filhos. Era muito brincalhão e animava o lugar onde estivesse – conta Juvenil.
A última reunião em família ocorreu no domingo.
ANDRÉ FIEDLER E RÓGER RUFFATO
Desolação no local do crime
A presença de dezenas de PMs em serviço e fora de serviço, acompanhados de policiais civis, e a reunião de pelo menos 10 viaturas de órgãos de segurança indicava que o crime ocorrido por volta das 22h45min de terça-feira no bairro Floresta era incomum. No local do nono homicídio registrado neste ano em Caxias do Sul, policiais militares se abraçavam sem acreditar na morte do ex-colega de farda. Informado sobre a morte do irmão, Juliano foi ao local. Chorando muito, ele se ajoelhou diante do corpo. Policiais militares o ampararam.
Jorge foi morto ao tentar interceptar dois homens que haviam roubado um Spin. A ação dos bandidos começou por volta das 22h30min no bairro Madureira. A dupla, em uma moto, abordou o dono do veículo na Rua Virgílio Ramos. Um dos ladrões entrou na garagem e assaltou a vítima que chegava em casa. O homem entregou o carro, e os criminosos fugiram – um deles na moto, e o outro, no carro roubado.
Ontem, a Polícia Civil ainda investigava como Jorge soube do assalto. Informado da ocorrência, possivelmente por um rádio na frequência da BM, ele teria iniciado por conta própria a perseguição aos bandidos, pilotando sua própria moto. A busca se estendeu por alguns quilômetros e acabou na Rua Cristiano Ramos de Oliveira. O ex-PM alcançou os bandidos e tentou abordar a Spin, que saiu da pista e parou. Conforme relatos de testemunhas à Brigada Militar, Jorge teria lutado com um dos ladrões e acabou baleado no pescoço. Ele morreu no local. O revólver que usava foi levado pelos criminosos.
Uma moradora das proximidades disse que assistia à TV com a família quando ouviu estampidos. Com medo, só percebeu o que havia acontecido cerca de 15 minutos depois, com a chegada da polícia.
– Ouvimos os tiros e nos escondemos – relata.
O crime é investigado pela Delegacia Especializada em Furtos, Roubos Entorpecentes e Capturas (Defrec). Conforme o delegado Ives Trindade, as diligências para reconstruir a sequência de acontecimentos se iniciaram ainda na noite de terça.
– Os agentes ouviram pelo menos cinco testemunhas no local da morte. Durante todo o dia, eles realizaram novas diligências em busca de pistas que indiquem a direção de fuga ou até mesmo a identificação. Solicitei as imagens de câmeras de segurança de alguns pontos comerciais daquela região, que podem nos ajudar nesse trabalho – relata Trindade.
Ainda segundo a polícia, testemunhas disseram terem ouvido dois disparos. Como o sargento teve apenas um ferimento à bala, uma das hipóteses é de que o ex-policial possa ter sido responsável pelo outro disparo e ter ferido um dos criminosos. Amostras de sangue foram colhidas no local pela perícia, que poderá apontar se houve outra pessoa ferida na ação.
Assinar:
Postagens (Atom)

